Pular para o conteúdo principal

Gestão de Pessoas na Enfermagem: os Desafios de Trabalho em uma UPA e Como a Administração Pode Transformar o Cuidado

Descubra os principais desafios de trabalho e gestão de pessoas na enfermagem de urgência e emergência, com base em pesquisa real feita na UPA do Bumbódromo (Parintins/AM). Liderança, motivação e estratégias administrativas explicadas.


Quem trabalha ou lidera equipes em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) sabe: a rotina de urgência e emergência exige muito mais do que competência técnica. Exige gestão de pessoas, liderança e administração eficiente — três pilares que, quando bem trabalhados, fazem toda a diferença na qualidade do atendimento ao paciente.

Neste artigo, reunimos os principais achados de uma pesquisa acadêmica conduzida na UPA do Bumbódromo, em Parintins (AM), que ouviu cerca de 20 profissionais de enfermagem sobre os desafios do dia a dia e o papel da administração na melhoria da gestão em saúde. Os resultados são reveladores — e servem de referência para qualquer unidade de urgência e emergência do país.

Por que administração e enfermagem precisam caminhar juntas?

A enfermagem é a principal força de trabalho da área da saúde, mas está constantemente exposta a sobrecarga, desgaste emocional, infraestrutura limitada e desvalorização profissional. É justamente aí que entra a administração: organizar escalas, planejar recursos humanos, liderar equipes e criar estratégias de motivação são funções que impactam diretamente a segurança do paciente e a qualidade do cuidado.

Autores clássicos da administração, como Chiavenato, Fayol e Maximiano, já apontavam que planejar, organizar, dirigir e controlar são a base de qualquer gestão eficiente — e isso vale tanto para uma fábrica quanto para uma sala de emergência.

Os 4 maiores desafios da gestão de pessoas na enfermagem de urgência

A pesquisa organizou os resultados em quatro eixos principais. Veja o que os profissionais relataram:

1. Liderança e gestão administrativa

A maioria dos profissionais reconhece a liderança do enfermeiro como essencial para o funcionamento organizacional. O estudo mostrou que:

  • 55% valorizam a liderança transformacional (a que motiva, inspira e estimula o desenvolvimento da equipe)
  • 25% preferem a liderança democrática
  • 20% identificam ainda estilos de liderança autocrática

Isso confirma uma tendência forte na literatura internacional: equipes lideradas com empatia, comunicação clara e escuta ativa apresentam melhor desempenho e mais engajamento.

2. Trabalho em equipe: comunicação é o ponto crítico

Quando o assunto é trabalho em equipe em setores de urgência e emergência, os dados mostram:

  • 40% apontam a comunicação ineficaz como o principal obstáculo
  • 35% citam a falta de recursos materiais e humanos
  • 25% destacam a sobrecarga de trabalho

A comunicação, portanto, não é um "detalhe" — é um pilar estratégico da gestão de pessoas na enfermagem, capaz de reduzir falhas assistenciais e fortalecer a segurança do paciente.

3. Condições de trabalho e motivação profissional

A motivação da equipe está diretamente ligada ao reconhecimento e à valorização institucional:

  • 45% dos profissionais se sentem motivados
  • 30% se dizem parcialmente motivados
  • 25% relatam desmotivação

O dado chama atenção: mesmo em um cenário desafiador, quase metade da equipe mantém um bom nível de motivação — o que reforça o papel de lideranças presentes e participativas.

4. Estratégias administrativas para melhorar a gestão

Quando perguntados sobre o que mais fortalece a gestão em enfermagem, os profissionais responderam:

  • 40% — capacitação profissional contínua
  • 35% — planejamento e controle administrativo
  • 25% — reconhecimento e valorização profissional

O que a ciência da administração ensina sobre isso?

O estudo se apoia em teóricos consagrados para explicar os resultados. Segundo o modelo de Donabedian, a qualidade do cuidado em saúde depende da articulação entre estrutura, processo e resultado — ou seja, não basta ter boa vontade: é preciso estrutura adequada, processos bem definidos e avaliação constante dos resultados.

Já a teoria da liderança transformacional (Bass, 1985) explica por que esse estilo de liderança tem sido o preferido em ambientes de saúde: líderes que inspiram, reconhecem e desenvolvem suas equipes elevam a moral e o desempenho coletivo — algo essencial em setores de alta pressão como uma UPA.

Boas práticas para fortalecer a gestão de pessoas na sua unidade de saúde

Com base nos resultados da pesquisa, algumas estratégias se destacam como caminhos eficazes:

  • Investir em capacitação contínua da equipe de enfermagem
  • Adotar liderança participativa e transformacional, com foco em escuta ativa
  • Criar canais de comunicação eficientes entre gestão e equipe
  • Reconhecer publicamente o trabalho dos profissionais
  • Planejar o dimensionamento de pessoal de forma estratégica, evitando sobrecarga
  • Promover ambientes de trabalho humanizados, alinhando metas institucionais às necessidades humanas da equipe

Conclusão: cuidar de quem cuida é uma prioridade administrativa

A pesquisa realizada na UPA do Bumbódromo, em Parintins, reforça uma lição que vale para qualquer unidade de urgência e emergência do Brasil: a qualidade da assistência em saúde depende diretamente da integração entre administração e enfermagem. Modelos de gestão humanizados, participativos e voltados ao desenvolvimento profissional não são "extras" — são a base para equipes mais motivadas, comunicação mais eficaz e, no fim das contas, um atendimento mais seguro para quem mais precisa.


Este artigo foi baseado no Trabalho de Conclusão de Curso "Administração e Enfermagem: Desafios de trabalho e gestão de pessoas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bumbódromo no município de Parintins", de Ananias Maciel dos Santos, apresentado à Universidade Federal do Amazonas (UFAM), 2025. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Insuficiência respiratória na UPA: o que a enfermagem precisa reconhecer e fazer rapidamente

A identificação precoce, a monitorização contínua e o suporte respiratório adequado podem fazer a diferença na evolução do paciente em situação de urgência. A insuficiência respiratória é uma condição de elevada gravidade e representa um dos cenários que mais exigem rapidez, organização e capacidade de avaliação da equipe de saúde. Em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde pacientes com diferentes níveis de gravidade são atendidos simultaneamente, reconhecer rapidamente os sinais de deterioração respiratória é fundamental. Um estudo publicado em 2026 na RECIMA21 investigou justamente essa realidade: como enfermeiros que atuam em uma UPA lidam com pacientes com insuficiência respiratória, quais intervenções são mais utilizadas e quais dificuldades interferem na assistência. O que o estudo encontrou? A pesquisa foi realizada em uma UPA de Aracati, no Ceará, durante 2025. Participaram oito enfermeiros com experiência profissional na unidade. A partir das entrevistas, os pesquisado...